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C1 · 0 a 200 pontos

Competência 1 do ENEM: domínio da norma culta

Ortografia, pontuação, concordância e registro formal.

O que ela avalia

A competência 1 mede o quanto o seu texto respeita a modalidade escrita formal da língua portuguesa. Ela é a mais mal compreendida das cinco, porque quase todo mundo a resume a “não errar português” — e essa leitura explica por que tanta gente trava em 160 sem entender o motivo. Na grade oficial, a C1 tem dois eixos, e a nota nasce do cruzamento dos dois, não de um só.

O primeiro eixo é a estrutura sintática: como você constrói os períodos. Um texto pode não ter nenhum erro e ainda assim ser avaliado como sintaticamente simples, se for feito de frases curtas e diretas, uma por linha, sem subordinação. O outro extremo é o período elaborado, com oração subordinada, intercalação ou inversão da ordem direta — é isso que a grade chama de estrutura excelente, e é ele que abre o nível 5. Escrever bem, aqui, significa articular ideias dentro da frase, não empilhar frases.

O segundo eixo são os desvios: ortografia, acentuação, pontuação, concordância e regência. A contagem não é literal — a banca classifica em muitos, alguns ou poucos, e reserva o nível máximo para textos com no máximo um deslize. O que importa saber é que os eixos se combinam e que, quando o seu texto encaixa em dois níveis diferentes ao mesmo tempo (estrutura excelente e três desvios, por exemplo), vale sempre o nível mais baixo dos dois.

A consequência prática é contraintuitiva e vale decorar: um texto formado só por períodos simples e curtos, mesmo sem nenhum erro, não passa do nível 4. Ausência de erro não é excelência. Excelência exige complexidade sintática — e é justamente por isso que a estratégia de “escrever simples para não errar” tem teto.

As faixas de pontuação

A nota anda de 40 em 40. O que separa uma faixa da seguinte:

  • 200

    Estrutura sintática excelente — períodos com subordinação, intercalação ou inversão — e no máximo um desvio no texto inteiro.

  • 160

    Estrutura boa, com alguma complexidade e orações subordinadas ocasionais, e poucos desvios.

  • 120

    Estrutura regular: períodos majoritariamente simples, muitas vezes um por parágrafo, mas com leitura fluida, e poucos ou alguns desvios.

  • 80

    Estrutura deficitária com poucos desvios, ou estrutura boa com muitos desvios — a combinação puxa para o nível mais baixo.

  • 40

    Estrutura deficitária, com períodos truncados ou justapostos que atrapalham a leitura na maior parte do texto, somada a muitos desvios.

O que derruba a nota

Texto inteiro em períodos curtos e simples

“A desigualdade é um problema. Ela afeta muitas pessoas. O governo precisa agir.” Não há erro nenhum aqui — e é exatamente por isso que o trecho ilustra o teto: sem subordinação, a C1 não passa do nível 4.

Pontuação de oração intercalada

“O Brasil que é o maior país da América Latina enfrenta o problema.” Falta o par de vírgulas isolando a explicativa: “O Brasil, que é o maior país da América Latina, enfrenta o problema.”

Concordância com sujeito posposto ou distante do verbo

“Existe, nas periferias das grandes cidades, diversos casos de abandono escolar.” O sujeito é “diversos casos”, no plural: “Existem […] diversos casos”.

Registro coloquial em texto formal

“Isso acaba fazendo com que a galera não tenha acesso.” Coloquialismo e construção prolixa: “Isso impede que parte da população tenha acesso.”

Como subir

  • Se você já erra pouco e continua parando em 160, o problema quase certamente é o primeiro eixo, não o segundo. Escolha dois parágrafos da sua última redação e reescreva-os unindo pares de frases curtas com uma oração subordinada — “porque”, “embora”, “de modo que”, “ainda que”. Não é enfeite: é o que a grade chama de estrutura, e é o único caminho do 160 para o 200.

  • Faça uma lista dos seus desvios recorrentes em vez de estudar gramática por tópico. Corrija três redações suas anotando cada desvio, e você vai descobrir que eles se repetem: quase todo estudante tem entre dois e quatro erros de assinatura — crase, vírgula antes de oração explicativa, concordância com sujeito posposto. Estudar esses quatro rende mais que revisar a gramática inteira.

  • Leia o texto em voz alta antes de entregar. A maior parte dos problemas de pontuação e de períodos truncados aparece na leitura oral, porque você tropeça exatamente onde falta uma vírgula ou sobra uma oração. É a revisão mais barata que existe e a que mais devolve pontos em C1.

  • Desconfie de períodos com mais de três linhas. Complexidade sintática não é comprimento: um período longo que perde o fio vira estrutura deficitária, que é o oposto do que você quer. Subordine uma vez, feche a frase, comece a próxima.

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