sem caixa-preta
Como a nota é produzida
A matriz é a oficial do INEP. O que muda é o que a correção é obrigada a verificar antes de pontuar.
A nota é por faixa, não por contagem de erros
Cada uma das cinco competências vale de 0 a 200 pontos, em degraus de 40, e a nota final é a soma — de 0 a 1000. O que define o degrau é o padrão geral do texto, não o número de erros: um deslize isolado, que não se repete e não atrapalha o entendimento, não derruba uma competência sozinho. O que pesa é o padrão que se repete.
O que a correção verifica, competência por competência
Um corretor de IA genérico devolve uma nota e um comentário. Aqui, cada competência tem uma checagem obrigatória antes de a nota sair — e o resultado dessa checagem aparece na sua correção, não fica escondido.
C1 · Domínio da norma culta
Dois eixos, e vale o pior dos dois
- A estrutura sintática é classificada em cinco graus, de inexistente a excelente, e os desvios de ortografia, acentuação, pontuação, concordância e regência são contados à parte.
- Quando o texto tem características de dois níveis ao mesmo tempo — estrutura excelente e três desvios, por exemplo —, vale sempre o nível mais baixo.
- Texto só de períodos simples e curtos, mesmo sem nenhum erro, não passa do nível 4: excelência exige complexidade sintática, não apenas ausência de deslize.
C2 · Compreensão do tema e repertório
O repertório precisa ser nomeado
- Antes de pontuar, a correção é obrigada a localizar o repertório externo no seu texto e citá-lo pelo nome: o autor, a lei, a obra, o dado, o fato histórico.
- Se não conseguir nomear nenhum, a nota fica em no máximo 120 — por melhor escrito e organizado que o texto esteja — e a justificativa tem que dizer que faltou repertório, em vez de elogiar a clareza.
- A diferença entre 160 e 200 é uma só: repertório decorativo, citado e abandonado, contra repertório produtivo, que sustenta o argumento a ponto de o parágrafo enfraquecer se você o retirar.
C3 · Organização e defesa de um ponto de vista
Progressão é informação nova, não recapitulação
- A avaliação olha se a tese anunciada na introdução é desenvolvida na ordem prometida e retomada na conclusão — o projeto de texto.
- Parágrafo de desenvolvimento que só reafirma, resume ou reconecta o que já foi dito não conta como progressão, e impede o 160 mesmo num texto coeso e bem escrito.
C4 · Coesão textual
Repetição de conectivo é procurada de propósito
- A correção procura ativamente pelo mesmo conectivo, ou pelo mesmo recurso de referenciação, repetido três vezes ou mais ao longo do texto.
- Isso conta como recorrência e derruba a nota abaixo de 200, mesmo que cada ocorrência isolada pareça natural — é o tipo de padrão que passa despercebido em quem escreveu o texto.
C5 · Proposta de intervenção
Os cinco elementos, contados um a um
- Agente (quem executa), ação (o que se faz), modo ou meio (como se faz), efeito (resultado esperado) e detalhamento (aprofundamento de um desses).
- Os elementos são contados dentro de uma mesma proposta: elementos espalhados entre duas propostas incompletas não se somam, e vale a proposta mais completa do texto.
- Uma conclusão que só anuncia que algo precisa ser feito, sem dizer quem faz e como, não passa de 40.
- Proposta que desrespeite os direitos humanos zera a competência, e as outras quatro seguem avaliadas normalmente.
Como a calibração é testada antes de cada mudança
Mexer nas instruções de correção é mexer no produto, então elas têm teste de regressão como qualquer outro código. Existe um conjunto de 39 redações de referência com a nota esperada em cada competência, e nenhuma alteração vai ao ar sem rodar todas contra o modelo de verdade — não contra uma simulação.
Entre elas estão 8 redações nota 1000 reais do ENEM, publicadas pelo próprio INEP. São elas que impedem o erro mais comum de um corretor automático: ser severo demais e devolver 840 para um texto que a banca deu 1000. Cada nota é comparada com tolerância de 40 pontos — um degrau da matriz —, e regressão bloqueia a publicação.
As redações do conjunto cobrem a faixa inteira, de 400 a 1000, mais casos isolados para cada competência: um texto forte com C4 fraca, um com repertório ausente, um com proposta de intervenção incompleta. É o que garante que uma competência não puxe a outra.
O que esta ferramenta não faz
Não prevê nem garante a sua nota no ENEM. A correção segue a matriz oficial e é calibrada contra redações já avaliadas pela banca, mas quem corrige a sua prova são dois avaliadores humanos do INEP, e a nota deles é a que vale. Qualquer serviço que prometa a nota exata está mentindo.
Não substitui um professor. Um professor conhece você, acompanha sua evolução fora do texto e ensina o que a redação não mostra. O que esta ferramenta faz é o que um professor não consegue fazer em volume: devolver, em um minuto e quantas vezes você quiser, uma leitura da sua redação pelos mesmos critérios da banca.
Não é infalível. É um modelo de linguagem seguindo uma rubrica, e vai errar em casos limítrofes — por isso a nota vem sempre com a justificativa e com o trecho do seu texto que a sustenta. Se a justificativa não convencer você, discorde dela: é para isso que ela está lá.
Quer ver a matriz detalhada, competência por competência? As 5 competências da redação do ENEM.