Fake news na redação do ENEM: como argumentar sem clichê
13 de agosto de 2026
Uma informação falsa pode alcançar milhares de pessoas em poucos minutos.
Quando ela é compartilhada repetidamente, distinguir informação, opinião e manipulação pode se tornar cada vez mais difícil.
É nesse cenário que fake news, algoritmos, redes sociais e educação midiática se transformam em questões relevantes para a sociedade.
Mas, se esse assunto aparecer no ENEM, você saberia fazer mais do que simplesmente escrever que “as fake news são perigosas”?
Fake news e desinformação podem aparecer no ENEM?
Não é possível prever antecipadamente o tema oficial da redação.
Porém, a desinformação permite discutir problemas relacionados à cidadania, educação, tecnologia, democracia e comportamento no ambiente digital.
A proposta poderia envolver questões como:
- disseminação de informações falsas;
- dificuldade de identificar fontes confiáveis;
- educação midiática;
- funcionamento das redes sociais;
- responsabilidade das plataformas digitais;
- manipulação da opinião pública;
- uso da inteligência artificial para produzir conteúdos falsos;
- formação crítica dos usuários da internet.
Por isso, estudar o assunto pode preparar você para diferentes propostas.
Fake news e desinformação são a mesma coisa?
Antes de escrever, é importante compreender o problema.
O termo fake news costuma ser utilizado para se referir a conteúdos falsos apresentados como se fossem notícias verdadeiras.
Já desinformação é um conceito mais amplo e pode envolver conteúdos falsos, distorcidos, manipulados ou apresentados fora de contexto com potencial para enganar.
Essa diferença pode deixar sua redação mais precisa.
Em vez de discutir apenas uma “notícia falsa”, você pode analisar todo um ambiente no qual informações enganosas circulam rapidamente e influenciam decisões.
Como esse tema poderia aparecer na redação?
O ENEM provavelmente apresentaria um problema social específico, e não apenas a expressão “fake news”.
Veja alguns recortes para treinar.
1. Desafios para combater a desinformação nas redes sociais brasileiras
Esse recorte permite discutir educação midiática, velocidade de circulação das informações e responsabilidade das plataformas.
2. Desafios para promover a educação midiática entre jovens brasileiros
Aqui, o foco pode estar na formação de usuários capazes de analisar fontes, reconhecer manipulações e utilizar a internet de maneira responsável.
3. Impactos da desinformação na sociedade brasileira
O candidato poderia discutir como informações enganosas afetam decisões individuais e coletivas.
4. Inteligência artificial e os novos desafios do combate à desinformação
Imagens, vídeos, áudios e textos podem ser produzidos ou alterados com ferramentas digitais cada vez mais sofisticadas.
Isso cria novas dificuldades para verificar a autenticidade de conteúdos.
5. Responsabilidade das plataformas digitais no enfrentamento à desinformação
Nesse caso, a redação poderia discutir o papel das empresas responsáveis pelas redes sociais na moderação e circulação de conteúdos.
O erro que pode deixar sua redação superficial
Imagine que o tema seja:
“Desafios para combater a desinformação nas redes sociais brasileiras.”
E o candidato escreva:
“As fake news são um grande problema porque muitas pessoas acreditam em notícias falsas.”
A afirmação não está necessariamente errada.
Mas ela ainda não explica o problema.
Uma argumentação mais forte precisa responder:
Por que as pessoas acreditam?
Por que esses conteúdos circulam tão rapidamente?
Quais consequências podem provocar?
Por que o problema continua acontecendo?
É dessas perguntas que surgem seus argumentos.
Quais argumentos podem ser utilizados?
Falta de educação midiática
Ter acesso à internet não significa possuir capacidade para avaliar criticamente tudo o que aparece na tela.
Usuários podem compartilhar conteúdos sem verificar autoria, fonte, data ou contexto.
Nesse caminho, você pode defender que a formação para o ambiente digital precisa acompanhar a expansão do acesso à tecnologia.
Velocidade de circulação das informações
Uma informação pode ser compartilhada instantaneamente com centenas ou milhares de usuários.
Quando conteúdos enganosos despertam medo, indignação ou surpresa, existe ainda maior possibilidade de compartilhamento impulsivo.
A velocidade pode dificultar a verificação antes que a informação alcance grandes públicos.
Algoritmos e ambientes digitais
As plataformas selecionam e recomendam conteúdos com base em diferentes sinais e sistemas automatizados.
Uma boa redação pode discutir como a personalização do conteúdo influencia aquilo que o usuário encontra no ambiente digital.
Mas evite afirmar que “o algoritmo obriga as pessoas a acreditar em fake news”.
O argumento precisa reconhecer que o fenômeno envolve tecnologia, comportamento dos usuários, educação e responsabilidade das plataformas.
Novas tecnologias de manipulação
A inteligência artificial adicionou uma nova camada ao problema.
Hoje, recursos digitais podem facilitar a criação ou alteração de imagens, áudios e vídeos convincentes.
Isso torna a capacidade de verificar fontes ainda mais importante.
Repertórios para uma redação sobre fake news
Um repertório só funciona quando ajuda a explicar o argumento.
George Orwell
A obra 1984, de George Orwell, apresenta uma sociedade na qual informações e registros são manipulados como instrumento de controle.
O livro pode servir como repertório para discutir os riscos da manipulação da informação.
Mas não basta escrever:
“Como dizia George Orwell...”
Explique como a manipulação informacional presente na obra se relaciona com o problema discutido na redação.
Hannah Arendt
As reflexões de Hannah Arendt sobre verdade, mentira e política podem contribuir para discussões relacionadas à manipulação da realidade e ao espaço público.
Esse repertório pode ser utilizado principalmente quando seu argumento tratar das consequências sociais da desinformação.
George Lakoff
Discussões sobre linguagem, enquadramento e construção de narrativas podem ajudar a compreender como a forma de apresentar uma informação influencia sua interpretação.
Esse é um repertório mais específico e deve ser utilizado apenas quando você souber desenvolver corretamente a relação.
Marco Civil da Internet
O Marco Civil da Internet é uma referência importante para discussões sobre direitos, deveres e princípios relacionados ao uso da internet no Brasil.
Pode ser especialmente útil em argumentos envolvendo cidadania digital e responsabilidades no ambiente online.
Como montar uma tese sobre desinformação?
Imagine esta proposta:
“Desafios para combater a desinformação nas redes sociais brasileiras.”
Escolha dois problemas que consiga desenvolver.
Por exemplo:
Argumento 1: insuficiência da educação midiática.
Argumento 2: dinâmica acelerada de circulação de conteúdos nas plataformas digitais.
Sua tese poderia seguir esta estrutura:
Embora a internet tenha ampliado o acesso à informação no Brasil, a insuficiência da educação midiática e a rápida circulação de conteúdos enganosos nas plataformas digitais dificultam o enfrentamento à desinformação.
Agora você já sabe exatamente o que desenvolver nos próximos dois parágrafos.
Desenvolvimento 1: educação midiática
Comece apresentando o problema.
Milhões de pessoas utilizam diariamente redes sociais, aplicativos de mensagens e plataformas digitais para consumir informação.
Entretanto, utilizar essas ferramentas não significa necessariamente saber identificar conteúdos confiáveis.
Depois, desenvolva a consequência.
A falta de hábitos de verificação pode favorecer o compartilhamento de informações enganosas.
Nesse momento, você pode defender a necessidade de desenvolver habilidades como:
- verificar a fonte;
- identificar autoria;
- observar a data da publicação;
- comparar diferentes veículos;
- distinguir opinião de informação;
- reconhecer conteúdos manipulados.
Assim, seu argumento deixa de ser simplesmente “as pessoas precisam pesquisar melhor” e passa a discutir educação midiática.
Desenvolvimento 2: circulação de conteúdos
Agora analise o ambiente no qual a desinformação circula.
Redes sociais permitem que conteúdos alcancem grandes públicos rapidamente.
Informações que provocam emoções fortes podem estimular compartilhamentos antes mesmo de qualquer verificação.
O problema, portanto, não envolve apenas quem cria uma informação enganosa.
Também envolve como ela circula e como os usuários interagem com ela.
Esse raciocínio deixa a argumentação mais completa.
Como fazer a proposta de intervenção?
Sua conclusão precisa enfrentar os problemas apresentados durante o texto.
Se você discutiu falta de educação midiática e circulação de conteúdos enganosos, pode pensar em diferentes agentes.
As instituições responsáveis pela educação poderiam promover programas de educação midiática nas escolas, ensinando estudantes a analisar fontes e verificar conteúdos digitais.
As plataformas, por sua vez, poderiam ampliar mecanismos de contextualização, denúncia e identificação de conteúdos potencialmente manipulados, respeitando os direitos dos usuários.
Campanhas públicas também poderiam ensinar práticas básicas de verificação de informações.
Evite escrever apenas:
“O governo deve combater as fake news.”
Essa proposta é vaga.
Pergunte:
Qual órgão?
Qual ação?
Como será realizada?
Para qual público?
Com qual finalidade?
Essas respostas dão à intervenção os cinco elementos que a competência 5 cobra.
Cuidado com este erro na conclusão
Combater desinformação não significa simplesmente defender que todo conteúdo considerado falso seja retirado da internet.
Uma redação madura precisa reconhecer que o assunto também envolve liberdade de expressão, acesso à informação e direitos individuais.
Por isso, soluções precisam ser apresentadas com responsabilidade e respeito aos direitos humanos.
Fake news vai ser tema do ENEM 2026?
Não existe qualquer garantia.
O tema oficial permanece desconhecido até a aplicação da prova.
Mas existe uma razão importante para estudar desinformação:
ela se conecta a vários outros assuntos que podem aparecer no ENEM.
Tecnologia.
Educação.
Democracia.
Inteligência artificial.
Redes sociais.
Cidadania digital.
Mesmo que a proposta não seja exatamente sobre fake news, esse repertório pode ajudar você a compreender outros problemas relacionados ao ambiente digital.
Agora é sua vez: conseguiria desenvolver este tema?
Tente responder:
Por que a desinformação se espalha?
Quem é afetado?
Quais consequências ela provoca?
O que poderia reduzir o problema?
Depois, escreva uma redação completa para esta proposta:
“Desafios para combater a desinformação nas redes sociais brasileiras.”
Construa sua própria tese, selecione dois argumentos e finalize com uma proposta de intervenção coerente.
Não descubra seus erros apenas no dia do ENEM
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Fake news pode ou não aparecer na sua prova.
Saber construir uma boa argumentação será necessário independentemente do tema.