20 repertórios coringa para usar no ENEM 2026
13 de agosto de 2026
Você não precisa decorar 100 filósofos para escrever uma boa redação.
Na verdade, vale muito mais dominar poucos repertórios e saber relacioná-los a diferentes temas.
É isso que torna um repertório realmente coringa.
As 20 referências abaixo podem ser adaptadas a assuntos como:
- educação;
- tecnologia;
- desigualdade;
- saúde mental;
- cidadania;
- meio ambiente;
- inclusão;
- violência;
- redes sociais;
- mercado de trabalho.
Mas existe uma regra importante:
repertório bom não é o que parece sofisticado. É o que ajuda a sustentar o argumento.
Antes da lista: como saber se um repertório é realmente coringa?
Um repertório coringa costuma ter três características:
- pode ser relacionado a mais de um tema;
- possui uma ideia central fácil de lembrar;
- consegue ser conectado a um argumento sem parecer forçado.
Por exemplo:
Paulo Freire não serve apenas para falar de escola.
Suas ideias sobre autonomia, consciência crítica e educação podem aparecer em discussões sobre:
- fake news;
- cidadania;
- tecnologia;
- desigualdade;
- participação social.
Por isso, o segredo não é decorar a citação.
É entender a ideia.
1. Constituição Federal de 1988
Ideia central
A Constituição assegura direitos fundamentais e sociais, como educação, saúde, igualdade, segurança e dignidade.
Pode ser usada em temas sobre:
- saúde;
- educação;
- inclusão;
- desigualdade;
- segurança;
- cidadania;
- direitos humanos.
Como usar
Embora a Constituição Federal assegure o direito à educação, a desigualdade de acesso ainda impede que essa garantia se concretize plenamente para todos os brasileiros.
2. Declaração Universal dos Direitos Humanos
Ideia central
Defende princípios relacionados à dignidade, igualdade, liberdade e proteção dos indivíduos.
Pode ser usada em:
- preconceito;
- violência;
- inclusão;
- migração;
- intolerância;
- cidadania;
- direitos fundamentais.
Como usar
A persistência da discriminação demonstra o distanciamento entre os princípios de igualdade defendidos pela Declaração Universal dos Direitos Humanos e a realidade social.
3. Paulo Freire
Ideia central
A educação deve contribuir para a formação crítica e para a autonomia dos indivíduos.
Pode ser usado em:
- educação;
- fake news;
- cidadania digital;
- inteligência artificial;
- desigualdade;
- participação social.
Como usar
Sob a perspectiva de Paulo Freire, uma educação capaz de desenvolver o pensamento crítico torna-se essencial para formar cidadãos preparados para avaliar as informações que recebem.
4. Zygmunt Bauman
Ideia central
Bauman analisou a fragilidade e a instabilidade das relações na sociedade contemporânea.
Pode ser usado em:
- redes sociais;
- relacionamentos;
- saúde mental;
- individualismo;
- consumo;
- juventude.
Como usar
As reflexões de Zygmunt Bauman sobre a fragilidade das relações contemporâneas ajudam a compreender como determinadas formas de interação digital podem intensificar vínculos superficiais.
5. Byung-Chul Han
Ideia central
O filósofo discute excesso de desempenho, produtividade e pressão na sociedade contemporânea.
Pode ser usado em:
- saúde mental;
- burnout;
- trabalho;
- desempenho escolar;
- redes sociais;
- produtividade.
Como usar
As ideias de Byung-Chul Han sobre a sociedade do desempenho permitem compreender como a cobrança constante por resultados pode afetar a saúde mental dos indivíduos.
6. Manuel Castells
Ideia central
Castells analisa a sociedade em rede e as transformações provocadas pelas tecnologias da informação.
Pode ser usado em:
- internet;
- redes sociais;
- fake news;
- inteligência artificial;
- cidadania digital;
- comunicação.
Como usar
As reflexões de Manuel Castells sobre a sociedade em rede ajudam a compreender como as tecnologias transformaram a circulação de informações e as relações sociais.
7. Milton Santos
Ideia central
O geógrafo discutiu desigualdade, globalização e uso desigual do espaço e das tecnologias.
Pode ser usado em:
- desigualdade social;
- tecnologia;
- globalização;
- urbanização;
- acesso a serviços;
- exclusão digital.
Como usar
A análise de Milton Santos sobre as desigualdades produzidas pelo processo de globalização permite compreender por que os avanços tecnológicos não alcançam todos de maneira igual.
8. Hannah Arendt
Ideia central
Arendt discutiu temas relacionados à política, responsabilidade, verdade e participação social.
Pode ser usada em:
- fake news;
- democracia;
- cidadania;
- violência;
- intolerância;
- manipulação da informação.
Como usar
As reflexões de Hannah Arendt sobre verdade e espaço público ajudam a compreender os riscos sociais provocados pela manipulação de informações.
9. George Orwell — 1984
Ideia central
A obra apresenta uma sociedade marcada pelo controle, vigilância e manipulação da informação.
Pode ser usada em:
- fake news;
- vigilância;
- privacidade;
- autoritarismo;
- tecnologia;
- manipulação.
Como usar
Em 1984, George Orwell apresenta uma sociedade na qual a manipulação da informação interfere diretamente na percepção da realidade, situação que encontra paralelos em debates atuais sobre desinformação.
10. Black Mirror
Ideia central
A série explora impactos sociais, psicológicos e éticos do avanço tecnológico.
Pode ser usada em:
- redes sociais;
- inteligência artificial;
- privacidade;
- cyberbullying;
- tecnologia;
- comportamento.
Como usar
A série Black Mirror evidencia como o uso inadequado da tecnologia pode gerar consequências sociais e emocionais, discussão que também se aplica ao ambiente digital contemporâneo.
11. Agenda 2030 da ONU
Ideia central
Reúne objetivos relacionados a desenvolvimento sustentável, educação, igualdade, saúde e redução das desigualdades.
Pode ser usada em:
- mudanças climáticas;
- pobreza;
- educação;
- saúde;
- desigualdade;
- sustentabilidade.
Como usar
Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 reforçam a necessidade de políticas que conciliem desenvolvimento social e preservação ambiental.
12. Estatuto da Criança e do Adolescente
Ideia central
Protege direitos relacionados à dignidade, educação, saúde e desenvolvimento de crianças e adolescentes.
Pode ser usado em:
- cyberbullying;
- violência;
- saúde mental;
- educação;
- exploração infantil;
- proteção de menores.
Como usar
O Estatuto da Criança e do Adolescente reforça a necessidade de proteção integral dos jovens, o que inclui a prevenção de formas de violência no ambiente digital.
13. Lei Brasileira de Inclusão
Ideia central
Defende direitos, acessibilidade, participação social e combate à discriminação contra pessoas com deficiência.
Pode ser usada em:
- inclusão;
- acessibilidade;
- capacitismo;
- mercado de trabalho;
- educação inclusiva.
Como usar
A Lei Brasileira de Inclusão evidencia que a participação social deve ser acompanhada pela eliminação de barreiras que impeçam o exercício pleno de direitos.
14. Marco Civil da Internet
Ideia central
Estabelece princípios e direitos relacionados ao uso da internet no Brasil.
Pode ser usado em:
- privacidade;
- cidadania digital;
- fake news;
- redes sociais;
- responsabilidade online.
Como usar
O Marco Civil da Internet demonstra que o ambiente digital também deve ser compreendido como espaço de direitos e responsabilidades.
15. Thomas Hobbes
Ideia central
Hobbes defendia a necessidade de organização social e autoridade para evitar conflitos.
Pode ser usado em:
- violência;
- segurança;
- regulação;
- conflitos sociais;
- responsabilidade do Estado.
Como usar
A perspectiva de Thomas Hobbes sobre a necessidade de organização social pode ser relacionada à importância de instituições capazes de reduzir conflitos e garantir segurança coletiva.
16. John Locke
Ideia central
Locke defendia direitos individuais e a função do Estado na proteção desses direitos.
Pode ser usado em:
- liberdade;
- cidadania;
- direitos;
- propriedade;
- segurança;
- atuação estatal.
Como usar
Sob a perspectiva de John Locke, cabe ao Estado garantir condições para a proteção dos direitos individuais, princípio que pode ser relacionado à necessidade de políticas públicas efetivas.
17. Émile Durkheim
Ideia central
Durkheim analisou a influência da sociedade sobre o comportamento dos indivíduos e a importância da integração social.
Pode ser usado em:
- violência;
- educação;
- juventude;
- normas sociais;
- exclusão;
- coletividade.
Como usar
As reflexões de Émile Durkheim ajudam a compreender como os valores e normas sociais influenciam diretamente o comportamento dos indivíduos.
18. Pierre Bourdieu
Ideia central
Bourdieu discutiu desigualdades sociais, capital cultural e reprodução de privilégios.
Pode ser usado em:
- educação;
- desigualdade;
- acesso à cultura;
- mobilidade social;
- oportunidades.
Como usar
A ideia de capital cultural desenvolvida por Pierre Bourdieu ajuda a compreender por que estudantes de diferentes contextos sociais não chegam à escola com as mesmas oportunidades.
19. Aristóteles
Ideia central
O filósofo discutiu ética, vida em sociedade e busca pelo bem comum.
Pode ser usado em:
- cidadania;
- ética;
- política;
- convivência social;
- responsabilidade coletiva.
Como usar
A concepção aristotélica de vida em comunidade reforça a importância de ações voltadas ao bem coletivo, e não apenas a interesses individuais.
20. Declaração de Salamanca
Ideia central
Defende princípios relacionados à educação inclusiva e ao direito de todos à participação no ambiente escolar.
Pode ser usada em:
- inclusão;
- educação;
- neurodiversidade;
- pessoas com deficiência;
- acessibilidade.
Como usar
Os princípios defendidos pela Declaração de Salamanca reforçam a necessidade de sistemas educacionais capazes de acolher diferentes necessidades de aprendizagem.
Os 20 repertórios por tema
Se você quiser consultar rápido, use este mapa.
Educação
- Paulo Freire
- Constituição Federal
- Pierre Bourdieu
- Declaração de Salamanca
Tecnologia
- Manuel Castells
- Black Mirror
- George Orwell
- Marco Civil da Internet
Saúde mental
- Byung-Chul Han
- Zygmunt Bauman
- Constituição Federal
Desigualdade
- Milton Santos
- Pierre Bourdieu
- Constituição Federal
- Agenda 2030
Inclusão
- Lei Brasileira de Inclusão
- Declaração de Salamanca
- Declaração Universal dos Direitos Humanos
Cidadania e direitos
- Constituição Federal
- John Locke
- Hannah Arendt
- Declaração Universal dos Direitos Humanos
Meio ambiente
- Agenda 2030
- Milton Santos
- Constituição Federal
Os 5 repertórios mais versáteis para memorizar primeiro
Se você ainda está montando seu repertório, comece por estes:
1. Constituição Federal
Serve para praticamente qualquer tema envolvendo direitos.
2. Paulo Freire
Excelente para educação, cidadania e pensamento crítico.
3. Milton Santos
Muito útil para desigualdade e tecnologia.
4. Manuel Castells
Ótimo para temas digitais.
5. Agenda 2030
Funciona bem para meio ambiente, desigualdade, saúde e desenvolvimento.
Domine esses cinco antes de tentar decorar vinte.
Como transformar um repertório em argumento
Use esta fórmula simples:
Repertório → relação com o tema → consequência
Exemplo:
Paulo Freire defendia uma educação voltada à formação crítica. Nesse sentido, a ausência de educação midiática dificulta a capacidade dos estudantes de analisar conteúdos encontrados nas redes sociais. Como consequência, amplia-se a vulnerabilidade à desinformação.
Perceba que o autor não ficou “solto”.
Ele ajudou o argumento a avançar.
O que não fazer com repertório
Não invente citações
Se não tiver certeza das palavras exatas, apresente a ideia do autor.
Não coloque repertório só para impressionar
Uma referência mal relacionada pode deixar o texto artificial.
Não use o mesmo repertório em qualquer tema
Constituição pode ser coringa, mas precisa ser conectada ao direito realmente envolvido.
Não transforme repertório em enfeite
Se você retirar a referência e o argumento continuar exatamente igual, provavelmente ela não estava cumprindo uma função importante.
Repertório coringa não significa repertório pronto
Esse é o ponto mais importante.
Um repertório é coringa porque pode ser adaptado a diferentes discussões.
Não porque existe um parágrafo fixo que serve para qualquer tema.
O ENEM pode mudar o recorte.
Você precisa mudar a forma de aplicar o repertório.
Teste se você realmente aprendeu
Escolha três repertórios desta lista.
Agora tente utilizá-los em três temas diferentes:
Tema 1: Inteligência artificial na educação.
Tema 2: Saúde mental dos jovens.
Tema 3: Desinformação nas redes sociais.
Para cada um, escreva apenas duas frases:
- apresente o repertório;
- explique sua relação com o argumento.
Se você consegue fazer isso sem copiar um modelo, o repertório começou a fazer parte do seu repertório real.
Não colecione referências. Aprenda a argumentar com elas.
Na Redação Nota Mil, você pode enviar suas redações e receber uma análise por competência para entender se seus repertórios estão realmente contribuindo para a construção da argumentação.
Ao criar seu cadastro, você recebe 3 créditos grátis para começar a treinar.
No ENEM, o objetivo não é mostrar quantos autores você conhece.
É mostrar que sabe utilizar conhecimento para defender uma ideia.