Neurodiversidade na redação do ENEM: por onde começar

13 de agosto de 2026

Estar presente em uma escola, universidade ou empresa significa necessariamente estar incluído?

Essa pergunta pode ser o ponto de partida para uma discussão muito mais profunda sobre neurodiversidade, acessibilidade, preconceito e garantia de direitos.

Pessoas neurodivergentes ainda podem encontrar barreiras na educação, no mercado de trabalho e em diferentes espaços da sociedade.

Por isso, se um tema relacionado à inclusão aparecer na redação do ENEM, não basta escrever que “é preciso respeitar as diferenças”.

Você precisa transformar essa ideia em argumentos.

O que significa neurodivergência?

Antes de escrever sobre o assunto, é importante compreender o conceito.

O termo neurodivergência é utilizado para se referir a pessoas cujo funcionamento neurológico apresenta características diferentes daquelas consideradas típicas.

Dentro das discussões sobre neurodiversidade podem aparecer, em diferentes contextos, condições como:

  • Transtorno do Espectro Autista (TEA);
  • Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH);
  • dislexia;
  • dispraxia;
  • síndrome de Tourette;
  • entre outras diferenças neurológicas.

Entretanto, existe um cuidado importante:

neurodivergência não significa que todas essas pessoas possuem as mesmas características ou necessitam dos mesmos tipos de apoio.

Evitar generalizações já é um passo importante para construir uma redação mais madura.

Inclusão de pessoas neurodivergentes pode ser tema do ENEM?

Não é possível antecipar qual será o tema oficial da prova.

Porém, a inclusão de pessoas neurodivergentes permite discutir questões diretamente relacionadas a direitos, educação, trabalho, acessibilidade e combate ao preconceito.

O assunto também pode aparecer em recortes diferentes.

Por isso, em vez de decorar uma redação sobre autismo ou TDAH, o candidato deve compreender quais barreiras dificultam a inclusão e como elas podem ser enfrentadas.

Como esse assunto poderia aparecer na redação?

Veja alguns recortes que podem ser utilizados para treinamento.

1. Desafios para a inclusão de pessoas neurodivergentes na sociedade brasileira

Esse é um recorte amplo.

Você poderia discutir preconceito, falta de informação e barreiras existentes em diferentes espaços sociais.

2. Desafios da educação inclusiva para estudantes neurodivergentes no Brasil

Nesse caso, o foco estaria no ambiente escolar.

Formação dos profissionais, adaptações pedagógicas, acessibilidade e respeito às necessidades individuais poderiam aparecer na argumentação.

3. Inclusão de pessoas neurodivergentes no mercado de trabalho

Aqui, o candidato poderia discutir oportunidades profissionais, preconceito nos processos seletivos e necessidade de ambientes de trabalho mais acessíveis.

4. Invisibilidade das necessidades de pessoas neurodivergentes

Nem toda necessidade específica é imediatamente perceptível.

Esse recorte permite discutir falta de informação, julgamentos sociais e dificuldade de acesso a adaptações adequadas.

5. Desafios para combater o capacitismo no Brasil

A discussão pode envolver preconceitos, estereótipos e comportamentos que diminuem ou excluem pessoas com deficiência.

Dependendo do recorte proposto, esse conceito pode ser importante para construir a argumentação.

O erro que pode enfraquecer sua redação

Imagine que o tema seja:

“Desafios para a inclusão de pessoas neurodivergentes na sociedade brasileira.”

E o candidato escreva:

“As pessoas neurodivergentes precisam ser tratadas como todas as outras.”

A intenção pode ser positiva, mas o argumento é insuficiente.

Igualdade não significa ignorar necessidades diferentes.

Em determinados contextos, garantir participação em condições de equidade exige adaptações e recursos específicos.

Uma pergunta muito mais produtiva seria:

quais barreiras impedem que essas pessoas participem plenamente da sociedade?

A partir dela, você consegue construir argumentos mais consistentes.

Quais argumentos podem ser utilizados?

Falta de informação e preconceito

O desconhecimento pode favorecer a reprodução de estereótipos.

Uma pessoa autista, por exemplo, não deve ser reduzida a uma imagem única sobre como alguém com TEA “deveria” se comportar.

Da mesma forma, dificuldades associadas a outras neurodivergências podem ser interpretadas de maneira equivocada quando falta informação.

Nesse argumento, você pode defender que desinformação e estereótipos contribuem para exclusões sociais.

Formação insuficiente no ambiente educacional

Matricular um estudante em uma escola regular não garante, por si só, inclusão.

É necessário pensar também em participação, aprendizagem e acessibilidade.

Quando profissionais não possuem formação ou recursos adequados para atender às necessidades dos estudantes, a inclusão prevista formalmente pode não acontecer plenamente na prática.

Esse contraste entre matrícula e participação sustenta bem um parágrafo de desenvolvimento.

Barreiras no mercado de trabalho

A inclusão também precisa continuar depois da escola.

Processos seletivos rígidos, ambientes pouco acessíveis e desconhecimento sobre neurodiversidade podem criar obstáculos à inserção e permanência profissional.

Aqui, você pode discutir como a inclusão deve envolver não apenas contratação, mas também condições adequadas para participação e desenvolvimento profissional.

Falta de acessibilidade

Quando falamos em acessibilidade, é comum pensar somente em estruturas físicas.

Mas existem outras barreiras.

Dependendo das necessidades da pessoa e do contexto, inclusão pode envolver adaptações na comunicação, na organização do ambiente, nos processos pedagógicos ou nas formas de avaliação.

Isso permite construir um argumento importante:

acessibilidade não deve ser entendida apenas como acesso físico a um espaço, mas como possibilidade real de participação.

Repertórios para uma redação sobre neurodiversidade e inclusão

O repertório precisa fortalecer seu argumento.

Não basta mencionar uma lei ou autor e seguir para outra ideia.

Constituição Federal de 1988

A Constituição estabelece princípios relacionados à igualdade, dignidade e garantia de direitos.

Ela pode servir como ponto de partida para demonstrar a distância entre direitos previstos e dificuldades encontradas na realidade social.

Uma possibilidade de raciocínio seria:

Embora a igualdade seja assegurada juridicamente, barreiras sociais e institucionais ainda podem impedir que determinados grupos exerçam plenamente seus direitos.

Lei Brasileira de Inclusão

A Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146/2015) é um repertório muito útil para temas relacionados à acessibilidade, participação social e combate à discriminação.

Ela pode ajudar principalmente quando seu argumento discutir a diferença entre garantir um direito formalmente e efetivá-lo na prática.

Lei Berenice Piana

A Lei nº 12.764/2012 instituiu a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista e reconhece a pessoa com TEA como pessoa com deficiência para todos os efeitos legais.

Esse repertório é especialmente relevante quando o recorte da proposta envolver autismo.

Mas atenção:

Se o tema for neurodivergência de maneira ampla, não transforme toda a redação em uma discussão exclusivamente sobre TEA.

Declaração Universal dos Direitos Humanos

O princípio da igualdade e da dignidade humana pode ser relacionado à necessidade de combater práticas discriminatórias e garantir participação social.

É um repertório versátil, mas precisa ser conectado diretamente ao argumento.

Como montar uma tese sobre inclusão de pessoas neurodivergentes?

Imagine esta proposta:

“Desafios para promover a inclusão de pessoas neurodivergentes na sociedade brasileira.”

Primeiro, escolha dois obstáculos que consiga explicar.

Por exemplo:

Argumento 1: persistência da desinformação e dos estereótipos.

Argumento 2: insuficiência de práticas efetivamente acessíveis nas instituições.

Sua tese poderia seguir esta lógica:

Embora o ordenamento jurídico brasileiro assegure direitos relacionados à igualdade e à inclusão, a permanência de estereótipos sobre a neurodivergência e a insuficiência de práticas acessíveis nas instituições dificultam a plena participação dessas pessoas na sociedade.

Agora você possui dois caminhos claros para desenvolver.

Desenvolvimento 1: desinformação e estereótipos

Comece explicando que neurodivergência engloba experiências diversas.

Quando a sociedade reproduz uma visão padronizada sobre autismo, TDAH ou outras condições, comportamentos e necessidades individuais podem ser interpretados de maneira equivocada.

Depois, apresente a consequência.

A desinformação pode contribuir para preconceito, isolamento e dificuldade de reconhecimento das necessidades específicas.

Aqui, sua argumentação pode defender que informação também é uma ferramenta de inclusão.

Desenvolvimento 2: inclusão além do papel

Agora você pode trabalhar a diferença entre ter um direito e conseguir exercê-lo plenamente.

Existem leis que protegem direitos e combatem discriminações.

Entretanto, a existência da legislação não significa que todas as barreiras desapareceram.

Escolas podem precisar de profissionais capacitados.

Empresas podem precisar rever processos e ambientes.

Instituições públicas podem precisar melhorar sua acessibilidade.

É nesse contraste entre direito formal e realidade prática que o argumento ganha profundidade.

Como fazer a proposta de intervenção?

Sua intervenção deve responder aos problemas que você apresentou.

Se você discutiu desinformação e falta de preparação das instituições, sua solução pode envolver diferentes agentes.

O poder público, em parceria com instituições educacionais e organizações especializadas, pode promover programas de formação sobre neurodiversidade para profissionais da educação e outros setores.

As escolas podem ampliar estratégias pedagógicas acessíveis e fortalecer o acompanhamento individual das necessidades dos estudantes.

Empresas podem desenvolver políticas de inclusão e capacitar equipes para reduzir barreiras nos processos seletivos e no ambiente profissional.

Campanhas de conscientização também podem ajudar a combater estereótipos.

Evite terminar apenas com:

“A sociedade precisa respeitar os neurodivergentes.”

Pergunte:

Quem precisa agir?

O que deve ser feito?

Como?

Para qual público?

Com qual finalidade?

É isso que transforma uma intenção positiva em uma proposta de intervenção estruturada.

Cuidado com estas expressões

A escolha das palavras também importa.

Evite tratar todas as pessoas neurodivergentes como se fossem iguais.

Também tome cuidado com expressões que reduzam uma pessoa à sua condição ou apresentem inclusão como caridade.

Em uma redação sobre o assunto, o foco deve estar em direitos, acessibilidade, equidade, participação e combate às barreiras sociais.

Inclusão de pessoas neurodivergentes pode aparecer no ENEM 2026?

Pode aparecer direta ou indiretamente, mas não existe qualquer confirmação antecipada sobre o tema oficial.

A vantagem de estudar esse assunto é que seus repertórios e argumentos também podem ajudar em propostas relacionadas a:

  • educação inclusiva;
  • acessibilidade;
  • mercado de trabalho;
  • direitos humanos;
  • preconceito;
  • capacitismo;
  • desigualdade;
  • diversidade.

Portanto, não decore uma redação pronta.

Aprenda a reconhecer as barreiras e construir argumentos para diferentes recortes.

Teste seus argumentos agora

Imagine que esta seja a proposta:

“Desafios para promover a inclusão de pessoas neurodivergentes na sociedade brasileira.”

Antes de começar a escrever, responda:

Quais são as principais barreiras?

Por que elas ainda existem?

Quais direitos estão envolvidos?

Quem pode contribuir para mudar essa realidade?

Depois, escolha dois argumentos e escreva sua redação completa.

O melhor momento para descobrir seus erros é antes da prova

Na Redação Nota Mil, você pode enviar sua redação e receber uma análise por competência para identificar seus pontos fortes e aquilo que ainda precisa melhorar.

Ao criar seu cadastro, você recebe 3 créditos grátis para começar a treinar.

Inclusão pode ou não ser o tema da sua prova.

Saber transformar um problema social em argumentos consistentes será necessário em qualquer redação.

bora praticar?

Corrija sua redação com IA, pelas 5 competências do INEP — grátis nas 3 primeiras.

Corrigir minha redação grátis