12 repertórios sobre saúde mental para usar na redação do ENEM
18 de setembro de 2026
Saúde mental é, hoje, o tema mais recorrente entre os que aparecem em simulados e listas de "possíveis temas" do ENEM.
O problema não é falta de opinião sobre o assunto. É repertório.
A maioria dos candidatos sabe que o tema importa, mas escreve sobre ele com generalidades — "a sociedade cobra demais", "as redes sociais atrapalham" — sem nenhuma referência que sustente o argumento.
Os 12 repertórios abaixo resolvem isso. Cada um vem com:
- a ideia central, em uma frase;
- os recortes do tema em que ele encaixa melhor;
- uma frase pronta mostrando como aplicá-lo num parágrafo.
Antes da lista: repertório de saúde mental tem uma armadilha
Quase todo mundo cai nela: usar saúde mental só para descrever o problema, sem avançar o argumento.
"Isso mostra que a saúde mental dos jovens está cada vez pior."
Essa frase não erra o tema, mas também não sai do lugar. Ela descreve — não argumenta.
O repertório serve para explicar uma causa, apontar uma responsabilidade ou justificar uma proposta de intervenção. Se ele só reforça o que a redação já disse, está sobrando.
1. Constituição Federal, art. 196
Ideia central
A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido por políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença.
Pode ser usado em
- políticas públicas de saúde mental;
- acesso a tratamento psicológico;
- responsabilidade do Estado;
- desigualdade no acesso a cuidado.
Como usar
O artigo 196 da Constituição Federal estabelece a saúde como dever do Estado, o que torna a escassez de atendimento psicológico gratuito uma falha direta na garantia desse direito à parcela mais vulnerável dos jovens.
2. Lei 13.935/2019
Ideia central
Torna obrigatória a presença de psicólogos e assistentes sociais nas redes públicas de educação básica.
Pode ser usado em
- saúde mental na escola;
- prevenção ao adoecimento psíquico;
- papel da educação no cuidado emocional;
- desigualdade entre rede pública e privada.
Como usar
Embora a Lei 13.935/2019 obrigue a presença de psicólogos nas escolas públicas, a implementação insuficiente da medida evidencia a distância entre a legislação e o cuidado efetivo oferecido aos estudantes.
3. Lei 15.100/2025 (uso de celular nas escolas)
Ideia central
Restringe o uso de celulares por estudantes durante o período escolar em todo o país, com base em evidências de impacto do uso excessivo de telas sobre atenção, sono e saúde emocional de crianças e adolescentes.
Pode ser usado em
- redes sociais e saúde mental;
- uso excessivo de telas;
- infância e adolescência;
- papel da escola na regulação do comportamento digital.
Como usar
A sanção da Lei 15.100/2025, que limita o uso de celulares nas escolas, reconhece institucionalmente algo que pesquisas já apontavam: o tempo de tela em excesso tem relação direta com o aumento de quadros de ansiedade entre adolescentes.
4. Organização Mundial da Saúde (OMS)
Ideia central
A OMS aponta os transtornos mentais, sobretudo ansiedade e depressão, como uma das principais causas de adoecimento entre adolescentes no mundo.
Pode ser usado em
- dados globais sobre saúde mental jovem;
- urgência do tema como problema de saúde pública;
- prevenção na adolescência.
Como usar
Segundo a Organização Mundial da Saúde, transtornos como ansiedade e depressão estão entre as principais causas de adoecimento na adolescência, o que reforça a urgência de políticas de prevenção voltadas a esse público.
5. Setembro Amarelo e o CVV (Centro de Valorização da Vida)
Ideia central
Campanha nacional de prevenção ao suicídio, sustentada pelo trabalho do CVV, organização que presta apoio emocional gratuito e sigiloso.
Pode ser usado em
- prevenção ao suicídio;
- acolhimento e escuta;
- papel de campanhas de conscientização;
- rede de apoio emocional.
Como usar
Iniciativas como a campanha Setembro Amarelo e o trabalho do CVV mostram que a prevenção ao sofrimento psíquico depende, antes de tudo, da construção de redes de escuta acessíveis a quem precisa.
6. CAPS — Centro de Atenção Psicossocial
Ideia central
Serviço do SUS voltado ao atendimento de pessoas em sofrimento psíquico, com equipe multiprofissional e atendimento gratuito.
Pode ser usado em
- acesso a tratamento gratuito;
- política pública de saúde mental;
- insuficiência de serviços frente à demanda.
Como usar
A existência dos CAPS demonstra que o Brasil já dispõe de um modelo de cuidado em saúde mental integrado ao SUS, mas o número insuficiente de unidades frente à demanda revela um problema de escala, não de concepção da política.
7. Byung-Chul Han — Sociedade do Cansaço
Ideia central
O filósofo argumenta que a sociedade contemporânea substituiu a cobrança externa por uma autocobrança constante de produtividade, gerando esgotamento.
Pode ser usado em
- pressão por desempenho;
- cobrança escolar e vestibular;
- burnout;
- excesso de produtividade.
Como usar
Conforme descreve Byung-Chul Han em Sociedade do Cansaço, o indivíduo contemporâneo internalizou a lógica da produtividade a ponto de se tornar seu próprio algoz, dinâmica que se manifesta com clareza na pressão que estudantes impõem a si mesmos às vésperas do vestibular.
8. Jonathan Haidt — A Geração Ansiosa
Ideia central
O psicólogo relaciona o aumento de ansiedade e depressão entre adolescentes à substituição da infância baseada em brincadeiras livres por uma infância mediada por smartphones e redes sociais.
Pode ser usado em
- redes sociais e saúde mental;
- infância e uso de telas;
- comparação entre gerações;
- uso excessivo de smartphones.
Como usar
Jonathan Haidt, em A Geração Ansiosa, associa o crescimento acelerado de diagnósticos de ansiedade entre adolescentes à substituição de vivências presenciais por horas de exposição a redes sociais, hipótese que ajuda a explicar por que o problema se intensificou justamente na última década.
9. Zygmunt Bauman — modernidade líquida
Ideia central
Bauman descreve vínculos sociais contemporâneos como superficiais e descartáveis, o que fragiliza o senso de pertencimento dos indivíduos.
Pode ser usado em
- isolamento social;
- superficialidade das relações digitais;
- impacto emocional das redes sociais.
Como usar
A fragilidade das relações que Zygmunt Bauman associa à modernidade líquida ajuda a compreender por que interações mediadas por redes sociais, embora numerosas, nem sempre produzem o senso de pertencimento necessário ao bem-estar emocional.
10. Émile Durkheim — O Suicídio
Ideia central
Durkheim demonstrou que o suicídio não é apenas um fenômeno individual, mas está relacionado ao grau de integração social do indivíduo.
Pode ser usado em
- prevenção ao suicídio;
- isolamento social;
- papel da comunidade e da escola no acolhimento.
Como usar
Já no fim do século XIX, Émile Durkheim demonstrava em O Suicídio que o enfraquecimento dos laços sociais eleva o risco de sofrimento extremo, o que reforça a importância de redes de apoio — escolares, familiares e comunitárias — na prevenção do problema hoje.
11. Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)
Ideia central
Garante proteção integral a crianças e adolescentes, incluindo o direito ao desenvolvimento saudável em seus aspectos físico, mental e emocional.
Pode ser usado em
- proteção da saúde mental infantojuvenil;
- responsabilidade da família, escola e Estado;
- cyberbullying e violência digital.
Como usar
O Estatuto da Criança e do Adolescente prevê a proteção integral ao desenvolvimento mental de crianças e adolescentes, o que torna a omissão diante de casos de sofrimento psíquico na escola uma falha de responsabilidade compartilhada, não apenas individual.
12. CID-11 e o burnout como fenômeno ocupacional
Ideia central
A Organização Mundial da Saúde passou a reconhecer oficialmente o burnout como fenômeno ligado ao estresse crônico no trabalho não gerenciado com sucesso — uma lógica que se estende à rotina de estudos.
Pode ser usado em
- pressão pelo vestibular;
- esgotamento de estudantes;
- cobrança por resultados.
Como usar
O reconhecimento do burnout pela CID-11 como fenômeno ligado ao esgotamento por estresse crônico ajuda a nomear algo que muitos estudantes vivem na reta final do ensino médio, mesmo sem ainda estarem no mercado de trabalho.
Os 12 repertórios por recorte do tema
Redes sociais e uso de telas
- Lei 15.100/2025
- Jonathan Haidt
- Zygmunt Bauman
Política pública e acesso a tratamento
- Constituição Federal, art. 196
- Lei 13.935/2019
- CAPS
Prevenção ao sofrimento psíquico e ao suicídio
- Setembro Amarelo e CVV
- Émile Durkheim
Pressão por desempenho e cobrança escolar
- Byung-Chul Han
- CID-11 e burnout
Proteção de crianças e adolescentes
- ECA
Dados e urgência do problema
- OMS
Como não errar a mão com esses repertórios
Não empilhe referências. Dois repertórios bem aplicados valem mais que cinco citados de raspão.
Não troque argumento por autoridade. Citar Bauman não substitui explicar por que a relação superficial que ele descreve piora a saúde mental — a citação apoia a explicação, não a dispensa.
Não use dado sem função. Um número da OMS só ajuda se ele sustentar a tese do parágrafo, não se estiver ali só para parecer embasado.
Repertório pronto não é redação pronta
Os 12 itens acima resolvem a parte mais difícil: ter o que dizer sobre um tema que, de tão repetido, tenta empurrar todo mundo para o clichê.
Mas repertório é matéria-prima. A nota vem de como você a transforma em tese, desenvolvimento e proposta de intervenção.
Na Redação Nota Mil, você pode enviar seu texto e receber uma correção por competência para ver se esses repertórios estão de fato sustentando o argumento — ou só decorando o parágrafo.
Ao criar seu cadastro, você recebe 3 correções grátis para testar.